O conto de fadas do Tokio Hotel – Superior Magazine

O conto de fadas do Tokio Hotel – Superior Magazine

Tokio Hotel fez uma entrevista à Superior Magazine em Março de 2015, veja a seguir a tradução:

Quatro amigos, dois gêmeos, uma banda, um sucesso enorme. Sua história se assemelha a um conto de fadas, e se havia pessoas que não conheciam o Tokio Hotel, elas mal acreditariam.Crescidos em Magdeburg, uma cidade no norte da Alemanha, os gêmeos Bill e Tom Kaulitz fundaram sua primeira banda Black Questionmark quando não
tinham nem 10 anos de idade. 2001, alguns anos depois, eles conheceram Gustav Schäfer e Georg Listing em um show e começaram a fazer música juntos como uma banda chamada Devilish, que logo seria renomeada Tokio Hotel.
Um produtor os descobriu em um show local e quando lançaram seu primeiro álbum em 2005, o Tokio Hotel foi contratado pela Universal Music. A banda se atirou para a fama: O single “Durch den Monsun” atingiu  imediatamente o primeiro lugar nas paradas alemãs e o álbum “Schrei” foi vendido 1,5 milhão
de vezes mundialmente.Em 2007, o Tokio Hotel fez turnê ao redor do mundo com seu segundo álbum “Zimmer 483”. As salas de concerto eram preenchidas com adolescentes chorando e gritando, fãs de outros países começaram a aprender alemão, garotas faltavam à escola e desmaiavam quando viam os rapazes. Ou você amava o Tokio Hotel ou os odiava, não havia meio termo.Mas o sucesso da banda também teve lado negativo. Principalmente para Tom e Bill, que não podiam sair de casa sem segurança, ir à escola se tornou impossível e os paparazzi os seguiam o tempo todo. Quando os gêmeos
chegaram em casa depois de comemorarem seu aniversário de 21 anos, descobriram que alguém havia invadido sua casa e roubado seus pertences, eles finalmente decidiram sair da Alemanha e se mudar para Los Angeles para
descansar.

Quatro anos depois, o quarto álbum do Tokio Hotel, “Kings of Suburbia”, foi lançado em outubro de 2014. Os rapazes não consideram um “retorno” porque eles nunca sumiram, no entanto puderam recarregar suas energias e agora sairão em turnê novamente em março de 2015, com a “Feel It All”.

Superior: Muito obrigado por nos receberem! Desde seu último álbum que foi lançado em 2009, muita coisa mudou. Como foi a diferença do processo de gravação desta vez?

Bill: Acho que a principal diferença entre todos os álbuns anteriores e este álbum é que nós produzimos tudo por conta própria. Primeiramente, nós temos um estúdio, algo que nunca tivemos antes. E não tínhamos um prazo –
só estávamos compondo e fazendo música, sem precisar tê-lo pronto em um certo ponto. Pudemos fazer o que amamos e fazer um álbum com o qual estamos completamente confortáveis.

Tom: Acho que tudo mudou! Nosso primeiro álbum foi lançado há dez anos. Naquela época nós tínhamos 15 anos, agora temos 25… a banda inteira se desenvolveu. Nós mudamos a maneira que produzimos, escrevemos e tocamos
nossa música. Mudamos como artistas, como pessoas. Acho que o único que não mudou nada é o Georg… (risos)

Georg: Ainda sou novo.

Tom: Ainda é o baixista. Mas, fora isso, tudo mudou…

Bill: Mas naturalmente!

Tom: Sim, como deve ser. Seria terrível se não tivéssemos mudado durante esses 10 anos e ainda fizéssemos música da maneira que fazíamos quando “Schrei” foi lançado.

S: É ótimo como vocês conseguiram se manter juntos. O que os une, como banda?

Bill: Acho que o fato de que crescemos juntos. Nós já éramos amigos e nos conhecemos porque morávamos em uma cidadezinha. Nós éramos os únicos músicos jovens lá!

Tom: E antes do Tokio Hotel, nós já éramos uma banda há cinco anos!

Bill: Como nos conhecemos há muito tempo e somos muito bons amigos, somos mais como uma família. Nunca chegamos ao ponto de ter uma briga feia, nós nos respeitamos e respeitamos nossas diferenças também. Somos como irmãos e nos conhecemos muito bem… e acho que esse é o motivo.

S: Durante sua estadia na Califórnia, vocês praticaram outras atividades
artísticas?

Tom: Nós só nos concentramos na nossa música. Mas como Bill e eu nos mudamos para Los Angeles, todo mundo sempre nos pergunta: “Como foi isso para a banda?” Mas eu acho só se pode fazer isso quando se é muito próximo
– acabar com a banda nunca, nunca foi uma questão. Nunca quisemos fazer outra coisa. Bill gosta muito de moda, mas fora isso, a música sempre foi a nossa prioridade.

S: O estereótipo de L.A. são vegetarianos obcecados pela saúde, super em
forma. Vocês confirmam isso?

Tom: Definitivamente.

Bill: Às vezes, eu me sinto como um drogado europeu quando estou lá. Todo mundo é tão saudável! E nós bebemos, fumamos, não vamos à academia e comemos muita besteira, é louco. As pessoas dormem muito cedo lá!

S: Berlim é completamente o oposto…

Bill: A vida não seria fácil aqui, mas eu amo Berlim.

Tom: De todas as cidades da Alemanha, eu definitivamente moraria em Berlim. Estou pensando em comprar uma casa aqui.

Bill: Agora que não vivemos mais na Alemanha, nós aprendemos a apreciá-la.

S: Vocês tiveram muitos conflitos mentais em L.A?

Bill: L.A é linda – mas às vezes é muito falsa e não confiável. Mas, como a Alemanha, nós fomos criados para sermos super pontuais, e sempre somos. Até mesmo com o trânsito horrível de L.A! Essa é uma coisa típica alemã… mas
é exatamente por isso que os americanos amam os alemães.

S: Qual foi o seu momento favorito de L.A? E qual lugar vocês consideram sua
casa?

Bill: Acho que eu poderia me mudar para qualquer lugar do mundo amanhã… e, contanto que eu tenha meu cachorro, meu irmão e minha família, este lugar será minha casa. Nós crescemos viajando, Tom e eu tivemos nosso
primeiro apartamento quando tínhamos apenas 15 anos! E depois ficamos na estrada por muito tempo… É muito fácil eu me sentir em casa. Mas, por enquanto, eu definitivamente diria que é Los Angeles.

Tom: Mas isso não tem a ver com lugar, é a sensação.

Bill: Eu amo a liberdade de lá! Isso influenciou muito o álbum, viver uma vida que era normal comparada a nossa vida na Europa. Pudemos sair, tomar café… só estávamos nos divertindo, vivendo a vida, nos inspirando.

S: Acredito que isso deve ter sido muito refrescante.

Bill: E foi! Foi muito legal. A primeira vez em anos que nós pudemos ser independentes.

S: Mas agora quando vocês voltam para a sua cidade natal, Magdeburg – como vocês se sentem?

Bill: É muito estranho. Lembro da primeira vez que voltamos lá, parecia uma vida completamente diferente. Nós mudamos muito… tudo parece menor. Talvez seja porque nós estamos mais altos agora. É definitivamente estranho.

Tom: Mas é igual para todo mundo – qualquer pessoa que já se mudou para uma cidade completamente diferente e começou uma vida nova deve se sentir assim quando volta para casa.

Bill: Eu simplesmente não tenho uma ligação à cidade – nunca tive, mesmo quando morava lá. As pessoas demonstravam muito orgulho pela cidade, comemoravam pela escola, essas coisas. Eu nunca quis fazer isso – achava
que eu não pertencia a isso.

Tom: É diferente para Gustav e Georg, eles ainda moram lá.

Georg: É, nós ainda moramos em Magdeburg.

S: Vocês já sentiram meio que uma falta de ligação? Vocês mudaram muito, mas o lugar continua o mesmo?

Georg: Um pouco… (Tom ri) mas nós viajamos muito, então, para mim, é uma experiência boa para descansar, relaxar. Eu passo muito tempo com a minha família, passeio com meu cachorro, é o equilíbrio perfeito.

S: Nossa era está se tornando cada vez mais digital. Como vocês, querendo se esconder um pouco, lidaram com a ascensão das mídias sociais?

Bill: No início, nós não tínhamos nada disso. Nem Facebook, nem Twitter, nada. Eu meio que tinha esperança de que tudo isso iria desaparecer.

Tom: Eu também, eu esperava que fosse apenas uma fase.

Bill: Nós realmente sentimos a necessidade de proteger o pouco que restou da nossa privacidade. Eu não entendo por que todo mundo se desfaz tão facilmente de algo tão importante. Mas isso tinha que mudar – você tem que
se envolver nisso hoje em dia, então nós encaramos e aprendemos a gostar um pouco. Há muitos lados positivos nas mídias sociais. É uma maneira muito direta de se conectar com seus fãs, de se comunicar sem que a imprensa
interfira e eu acho isso ótimo. Eu uso muito o Instagram hoje em dia. Mas nós ainda temos limites – algumas pessoas postam coisas que eu não consigo acreditar.

S: Quando o Tokio Hotel alavancou, todas essas plataformas quase nem existiam. Vocês ficam felizes de que foi esse o caso, principalmente considerando a privacidade que vocês perderam muito rápido?

Tom: Definitivamente.

Bill: Bem, quando nós começamos, todas essas coisas ainda eram muito novas. Mas com projetos como Tokio Hotel TV, nós fomos uma das primeiras bandas a ter um podcast diário. E isso definitivamente ajudou. Mas hoje, é muito
difícil! Há muitas pessoas compartilhando sua música e seus talentos agora, é quase impossível se tornar uma estrela do YouTube, eu acho.

Tom: Se tornou muito popular – é mais difícil para todo mundo. Há dez anos, quando nós nos apresentamos no Japão, nós pensamos: “Se fizermos alguma besteira, ninguém na Europa vai saber.” Mas agora, se você fizer, todo
mundo vai saber muito rápido!

Bill: Exatamente! Se eu fizer algo no palco, quando eu ligar meu celular depois do show – já vai estar em toda parte. É uma loucura.

Tom: Há lados positivos, mas claramente há lados negativos também. Tudo ficou mais complexo, em geral. Tivemos que considerar isso também durante a promoção do nosso novo álbum. Não existe mais canal de música na TV, as
mídias sociais substituíram isso.

S: Isso não nos afeta profissionalmente – como vocês acham que isso os afetaram como pessoas, não como músicos? Como vocês lidam com relacionamentos pessoais?

Bill: Isso não me mudou, na verdade. Ou mudou? (Ele olha ao redor. Os outros membros balançam suas cabeças.) Tom é muito antigo quando se trata de celular, ele quase nunca usa e só manda mensagem e faz ligação. Ele não
tem aplicativos nem acompanha blogs.

Tom: Eu quero aproveitar esta oportunidade para divulgar minha conta no Instagram. É @tomkaulitz e eu ainda não postei nenhuma foto – mas meu objetivo é ter mais seguidores que o resto da banda, sem postar nenhuma
foto. Se eu alcançar esse objetivo, talvez eu finalmente poste algo.

Georg: Só uma foto.

S: Uma vez que sua fama veio muito cedo e muito rápido – vocês acham que perderam muitas experiências? E há algumas experiências que estão felizes por terem perdido?

Bill: Nós vivemos uma vida completamente diferente – fico muito feliz por não ter ido mais à escola, porque estudar para mim é a pior coisa e eu só queria sair.

Tom: Eu também – acordar muito cedo de manhã, ir para a escola em um dia chuvoso… Fico feliz por não ter vivido isso.

Bill: Mas, por outro lado, nós sempre fomos muito cautelosos. Nós tínhamos um pequeno grupo de pessoas em quem confiávamos e interagíamos. E tivemos que assumir a responsabilidade muito cedo – eu achava que era adulto o suficiente para lidar com isso e queria controlar tudo. Mas quando olho para trás, eu definitivamente deveria ter esperado um pouco mais, talvez toda essa responsabilidade fosse um pouco demais. Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria diferente. Tivemos que crescer muito rápido.

S: Vocês mencionaram que lidam com a internet com muito cuidado – vocês acham que isso pode ser para se distanciar de toda essa pressão que vocês tiveram durante seu amadurecimento?

Bill: Um pouco, sim. Estamos tentando nos distanciar, com certeza, mas é difícil. Este é um trabalho muito pessoal, você coloca sua própria história para todo mundo ver… houve muito ódio também.

Tom: É difícil confiar em pessoas – antigamente, nós dizíamos algo para alguém e no dia seguinte já estava no jornal. Nós tomamos muito cuidado – cada bebida que bebíamos, cada garota com quem dormíamos… Nós percebemos que tínhamos que nos proteger. E ainda somos assim até hoje.

S: Eu lembro que havia muita repercussão negativa – quase bullying. O que vocês diriam a essas pessoas agora?

Bill: Eu tenho que dizer – eu gostava disso um pouco. É melhor as pessoas terem uma opinião negativa do que não terem opinião nenhuma. Mas quando olho para trás, às vezes eu penso: “Talvez eu teria me vestido diferente.”
Mas nunca forcei nada – isso surgiu naturalmente. Mas era importante nos provar para as pessoas, principalmente com o segundo álbum. Tínhamos que mostrar a elas que não tínhamos só um sucesso, que podíamos tocar nossos
instrumentos e que conseguiríamos fazer sucesso com a banda. E acho que conseguimos.

S: Bill – você sempre se expressou. Mas hoje em dia, muitos traços de seu caráter não só são mais aceitos, como celebrados. Você acha que isso te permite a ser mais você mesmo? E como você, como banda, lida com isso?

Bill: Eu nunca me encaixo, acho. É por isso que odiava ir à escola… Eu precisava ser livre, odeio quando as pessoas me dizem o que fazer. Mas não faço de qualquer forma – é importante que as pessoas possam se expressar, sem mais. Eu nunca diria ao Georg o que vestir ou algo assim.

S: Mas sempre vai haver um pouco de negativismo – como vocês se protegem?

Tom: As pessoas estão celebrando a individualidade cada vez mais hoje em dia. Mas nós nunca tivemos esse problema. Sempre cuidamos uns dos outros, nos protegemos. Bill se expressou quando era muito jovem, algo que poucas pessoas teriam feito, e às vezes ele precisava de proteção. Nós sempre tivemos um ao outro, e isso ajudou muito. Eu não sei onde estaria sem ele.

Bill: Eu sempre me sinto seguro quando estou com os rapazes… Nunca tive medo.

Tom: E, acredite, às vezes era assustador. Às vezes, o público reagia de uma forma muito ruim, ainda mais quando éramos jovens.

Bill: Eles atiravam ovos em nós!

Tom: Mas nós quatro sempre estivemos juntos. Porém, é claro, nossos fãs nos ajudaram também. Precisávamos deles também. Bill gosta muito de moda, mas fora isso, a música sempre foi nossa prioridade.

S: O fato de estarem juntos, cuidando uns dos outros, sempre fazendo o que querem, não importa o resto – a imagem do Tokio Hotel se tornou a luz da esperança para as pessoas que sofrem bullying. Para os diferentes, para aqueles que se vestem diferente. Isso deve deixá-los muito orgulhosos!

Bill: Sempre que vejo isso, até mesmo hoje em dia, me deixa muito feliz. É a coisa mais fofa – inspirar as pessoas, fazê-las com que sejam elas mesmas. Isso me toca muito – porque é exatamente isso o que eu quero fazer.

S: Mas, ainda assim, vocês não podem alcançar a todos. Isso às vezes machuca vocês, o fato de que existe pessoas por aí que querem muito entrar em contato com vocês, e simplesmente não conseguem chegar até vocês e vice-versa?

Bill: Eu não quero partir o coração de ninguém. E isso, às vezes, é muito difícil, sim. As pessoas te idolatram, talvez te admiram… e eu nunca vou poder conhecê-las, mesmo se quisesse. E isso gasta muita energia.

S: Mas vocês têm uma mensagem para os seus fãs?

Bill: Estamos ansiosos para a turnê e para ver todo mundo de novo, tocar em lugares menores, vai ser incrível!

S: Vocês estão felizes por estarem de volta?
Bill: Estamos muito felizes por estarmos de volta! (Os outros balançam a cabeça entusiasticamente.)

Tradução enviado por: Mariana Scarazzatti para Conexão Tokio Hotel Brasil

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